Melhor administrador do Recife completaria 408 anos.
Davi LiraDo JC Online
A construção de um mito se dá pelo imaginário coletivo. Para muitos, a herança cultural e arquitetônica do Recife, delineada a partir da invasão holandesa ao Nordeste Brasileiro (1580-1640), foi suficiente para render até hoje ao Conde Maurício de Nassau o título de maior administrador da cidade. no dia (17), o mesmo Johan Maurits van Nassau-Siegen (nome do Conde em neerlandês) completaria 408 anos de nascimento. Desde o imaginário social criado pela população de outrora, nunca um estrangeiro, invasor e protestante cativou tanto quanto Nassau, que governou a cidade por sete anos, durante o século 17.
No que diz respeito à história e à memória, por exemplo, de fato "chama atenção a forma pelo qual o sentimento nativista pernambucano lidou com os holandeses. Da violência antilusitana, para uma espécie de representação através de aspectos da ideia do maravilhoso e do sobrenatural", como bem retrata a pesquisadora da Pontifícia Universidade de Minas Gerais Maria do Carmo Lanna Figueiredo.
A construção dessa imaginação social foi densamente estudada pelo escritor pernambucano Evaldo Cabral de Mello, em sua consagrada obra Rubro veio - O imaginário da Restauração Pernambucana. Mello observou como era notável a difusão de lendas relativas a tesouros enterrados, a casos de ruídos e a rumores bélicos. A áurea do Conde João Maurício de Nassau-Siegen sempre causou admiração, e a efetiva modernização feita na cidade, além de sua cordial relação com os senhores de engenho, alçou o Conde à condição de mito.
De acordo com a pesquisadora da Universidade de Pernambuco (UPE) Kalina Vanderlei Paiva, especialista em período colonial, "realmente existe um mito em torno do conde. Criou-se a ideia, no Recife, de que a colonização holandesa foi melhor que a portuguesa, o que não é verdade! Eram parecidas, pois foram baseadas na monocultura do açúcar e na escravidão".
Ainda segundo ela, que é uma Vanderlei "com ´v´ e ´i´" - sobrenome dos muitos descendentes de um soldado que ficou em terras brasileiras depois da expulsão holandesa, "Nassau virou ícone e se diferenciou dos demais, entre outras coisas, pelo seu viés renascentista. Tinha ideias renovadoras, gostava de arte e, de certa forma, ajudava os judeus". No entato, "ele não propunha uma democracia cultural; a arte dos artistas e cientistas que trazia, era para ele".
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